Mensagem do Presidente

Marcelo Carneiro da Silva

Formado pela Universidade Federal da Bahia. Especializou-se em anestesia pelo Hospital de Base em 1992. E preceptor e instrutor de residência médica desde 1996 pela SBA e SES.

Atividades exercidas:
• Coordenador do CET do Hospital Regional do Gama
• Vice-Presidente na Coopanest – DF
• Diretor Financeiro na SADIF


Discurso da Posse


Cerimônia de Posse SADIF 2018.

Boa Noite.

Gostaria de dar início agradecendo a todos os presentes e em especial ao Dr. Sérgio Logar, presidente da SBA, cumprimentando-o, e estendo meus cumprimentos a todos os componentes da mesa.

Senhoras e Senhores,

É uma honra recebê-los nesta cerimônia de posse da nova diretoria da SADIF.
Muito obrigado pela presença.

Quero dizer que é com grande entusiasmo e consciente da minha imensa responsabilidade que decidi aceitar a presidência de uma instituição tão respeitada.

Considero um dos maiores desafios por mim já enfrentados e irei me aprofundar um pouco neste tema.

Foi em março de 1962, no Hospital de Base, que a ideia da fundação da SADIF começou a tomar forma pelos anestesiologistas que chegaram no início de Brasília. Naquela época, no então Hospital Distrital, havia somente 5 anestesiologistas.

Dr. José Carlos Dias Ferreira foi o sexto Anestesista e integrar o grupo e vindo do Rio de Janeiro onde tinha participado daquela regional semeou a ideia da criação de uma sociedade com o objetivo de estimular os estudos científicos.
A ideia inicialmente não foi bem aceita, mas ele não desistiu e adaptando um estatuto da regional do RJ, conseguiu que 12 anestesiologistas assinassem a ATA de fundação em outubro de 1962. Lá se vão quase 56 anos.

O primeiro registro disponível de Ata é de abril de 1967, já sob a presidência de um dos mais renomados anestesiologista do Brasil, Dr. Zairo Vieira. Que privilégio para nossa sociedade ter o registro em sua história de Dr Zairo Garcia Vieira como presidente. É realmente um orgulho para todos nós.


Desde então passaram pela presidência da SADIF nomes não menos importantes, como Dr. Renato Saraiva, em memoriam Dra. Miriam Pereira, Dr. Edno Magalhães, Dr. Silvério Assunção, Dr. Geraldo Gutemberg, Dr. Nicolau Dr. Alessandro, Dr. Glaycon Fernandes, Dr. Joao Pereira, Dr. Aloisio Nalon, Dr. Aliomar Carneiro, Dr. Benevenuto Nogueira, Dra Maria Auxiliadora Estrela, Dr. Jose Henrique Leal, Dr. Tadeu Palmieri, entre outros.
Todos os ícones da anestesia reconhecidos nacionalmente e internacionalmente e que colaboraram com nossa instituição para seu engrandecimento. Agradeço a presença de todos vocês aqui nesta cerimônia.

Por isto digo que é um verdadeiro desafio e uma honra assumir esta posição.

Considero ainda mais difícil suceder a presidência do Dr. Edisio Pereira, a quem teço todos os elogios. Foram dois anos marcantes, de muito sucesso, coroada com a maior Jornada de Anestesiologia do Brasil Central, que alcançou um recorde de 306 inscritos. Tivemos também, aqui em Brasília, sob sua presidência, uma das maiores edições do CBA, com a presidência do congresso do Dr. Edno Magalhães.

Dr. Edisio, reforço aqui minha admiração e o parabenizo pela sua simplicidade, competência e dedicação. Espero poder honrar a altura esta presidência.

A SADIF se tornou a 13ª sociedade regional de Anestesiologia do Brasil. Temos 523 associados, dos quais 62 possuem TSA, dentre seus associados temos 19 associados remidos dos quais 8 possuem o TSA. Temos ainda sob a supervisão da SADIF 04 CETs com 88 médicos residentes em atividade.

Percebem como a Instituição SADIF é grande?
Que grande responsabilidade é presidi-la?
Percebem o nosso desafio?

É necessário neste momento expor minhas ideias como presidente de nossa sociedade pelos próximos dois anos. O que pretendemos buscar junto com os outros diretores para nossa sociedade neste período. E aqui eu faço um agradecimento a este grupo de amigos empenhados de forma voluntária, a transformar para melhor nossa sociedade. Dr. Rodrigo Aires, diretor científico, Dr. Mariano Sousa, diretor Tesoureiro, Dr. Gustavo Amaral, primeiro secretário e Dr. Frederico Lima, segundo secretário. É uma honra tê-los como amigos e como diretores neste desafio.

Deixemos um pouco de lado a agenda de trabalho e vamos falar de outro aspecto que julgo mais importante e mais desafiador. Como unir e trazer para nossa sociedade todos os anestesiologista de Brasília? O que teríamos que fazer nestes dois anos para estimular a participação de mais anestesiologistas em nossos encontros?

Julgo que o ponto principal seria conseguimos criar na SADIF um desejo dos Anestesiologistas de participarem desta sociedade. Mais uma vez reforço que é um grande desafio.

Mas é nisto que temos que avançar. Avançar no interesse entre os Anestesiologistas de fazer parte desta comunidade.

Viver em sociedade não é fácil. É o que estamos acostumados a ouvir. Mas um dos grandes saltos da humanidade foi justamente a capacidade que obtivemos de viver em sociedade. Esta capacidade é o grande diferencial da espécie humana.

Vamos voltar no tempo, vamos analisar como vivíamos há milhões de anos atrás para entendermos o que leva uma pessoa ou grupos de pessoas a querer fazer parte de uma comunidade.

Yuval Noah Harari em seu livro Sapiens, descreve de maneira muito interessante como esta capacidade de viver em sociedade transformou o desenvolvimento da raça humana.

O Sapiens, por milhões de anos viveu como um animal insignificante, periférico no mundo. Provavelmente pequenas alterações genéticas e alguns acontecimentos propiciaram grandes saltos na cadeia evolutiva.

Há cerca de 2 milhões de anos a descoberta de pequenas armas permitiram então que nossos ancestrais deixassem uma posição intermediária e subissem na cadeia evolutiva para o topo da cadeia alimentar.

Mas isto não foi extremamente significativo na evolução da nossa espécie.
A capacidade de controlar o fogo foi outro salto para a evolução da espécie. Isto ocorreu à cerca 1,8 milhões de anos atrás.

O controle do fogo propiciou que o Homo Sapiens, fisicamente mais fraco, pudesse se defender de um leão, sobreviver em tempos congelantes, pudesse cozer alimentos imprestáveis à alimentação.

Por isto o controle do fogo permitiu que nossos ancestrais mudassem em muito seus comportamentos e modos de vida.

Mas isto também não foi o grande diferencial de nossa espécie.

Então, o que fez de nos Sapiens diferentes de outros animais? 
Historiadores acreditam que o maior salto da nossa evolução veio com a chamada revolução cognitiva. Esta sim foi a primeira grande revolução de nossa espécie. Gostaria de contar com a atenção de vocês para discutirmos um pouco sobre esta revolução que juntamente com a revolução agrícola e industrial mudou radicalmente o nosso modo de vida.

Isto ocorreu entre 70 mil a 30 mil anos atrás quando mutações genéticas acidentais provocaram alterações em uma espécie. Foi então que um grupo de Homo Sapiens conseguiram ter uma capacidade de imaginar, inventar histórias, criar mitos, fantasias, ter crenças. Foi isto que proporcionou darmos um grande salto em nossa evolução e determinou a supremacia do Homo Sapiens em relação ao demais.

Vejam esta pintura encontrada em uma caverna na Dordonha, França de cerca de 20 mil anos e conhecida como o “Homem Ferido” e que pode representar, segundo os historiadores o registro da revolução cognitiva, pelo simbolismo da alma humana como seu significado.

Esta outra imagem com a impressão de uma mão humana com cerca de 30.000 anos, encontrada também em uma caverna da Franca, representa este período da revolução cognitiva e os historiadores acreditam que alguém quis dizer: Eu estou aqui.

Esta revolução cognitiva permitiu que grupos maiores que 150 indivíduos pudessem viver coletivamente e se ajudar mutualmente. Este foi o grande avanço de nossa espécie. Isto fez toda a diferença.

Toda cooperação humana em grande escala se baseia em mitos ou crenças partilhadas que só existem na imaginação coletiva das pessoas. E isto ocorre somente entre os Sapiens.

Vejamos alguns exemplos:

Católicos que nunca se conheceram podem lutar juntos para levantar fundos para construir um hospital porque ambos acreditam em um Deus único e que isto os ajuda a redimir seus pecados.

Indivíduos que não se conhecem podem envidar esforços em defesa da natureza porque acreditam que suas pequenas ações podem mudar o mundo. Assim surge a WWF com milhares de associados que cooperam entre si em prol desta crença.

Onde eu quero chegar com estas colocações??

Que para unirmos um grupo de 523 associados precisamos despertar um interesse comum e forte o suficiente para agrega-los. Este é o nosso desafio.

A Sociedade americana oferece muitas vantagens a seus 52 mil associados, mas não é só isto que ela oferece. Fazer parte da ASA significa estar sempre atualizado com as modernas técnicas de Anestesia e traz a sensação de que fazemos as coisas certas e atuais. Seus associados acreditam nesta instituição. Quem não gostaria de ser associado à ASA?

A SBA conseguiu também se posicionar neste sentido. Há uma busca por residências médicas chanceladas pela SBA porque aquela residência é melhor que uma que não tenha sua chancela. É isto que passa no imaginário dos médicos recém-formados. Poderíamos citar diversas ações que reforçam este posicionamento da SBA entre os anestesiologistas do Brasil, como organização, capacitação, atualização, empenho, respeito e muitas outras.

Então qual o nosso maior desafio à frente de nossa sociedade??

É formar este ideal de que nossa sociedade está à frente de seu tempo em nossa especialidade, que é dinâmica, que é inventiva, que é atual. Que fazer parte desta sociedade possa passar a sensação de capacitação, de princípios éticos, de que é importante fazer parte desta sociedade, de que é importante e recompensador colaborar com a nossa sociedade. É este o nosso desafio.

E para enfrentar qualquer desafio precisamos compreender e dimensionar as aspirações.

O que o jovem anestesista espera de sua sociedade, em que momento ele espera que a SADIF o ajude e de que forma.

Ao mesmo tempo, precisamos entender o que o anestesista experiente almeja: seria um momento de troca de experiências? Um local em que se sinta à vontade para discutir casos? Ou se aprofundar em um tópico com que ele se identifique? Ou tirar dúvidas sobre outro tópico pelo qual ele não nutre grandes paixões?

Entendendo as aspirações, poderemos melhor alcançá-las e atendê-las, trazendo para o seio da sociedade uma ampla gama de interesses e experiências, que, no final, por si só engrandecerão nossa SADIF.

Portanto, ao final destes dois anos, gostaríamos que o associado SADIF tenha orgulho e queira participar de nossa sociedade, que acredite que unindo nossas forças transformaremos para melhor a anestesiologia de Brasília.

É isto que esta diretoria acredita e é o topo deste desafio que vamos alcançar!

Muito obrigado a todos!!